Nota sobre os últimos dias

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Os últimos dias não foram apenas dias a menos para o XXVIII ENECS Fortaleza chegar. Acompanhamos por todo o país uma onda de protestos e manifestações que pegou de surpresa qualquer pessoa um pouco menos avisada, chegando até mesmo a assustar, tamanha a dimensão em números (de pessoas nas ruas e de pautas) e mobilização, depois de alguns anos de suposta inércia.

Na grande mídia, sociólogos e cientistas políticos são convocados desde então para tentar dar respostas à esse “fenômeno de massas” que tomou e tem tomado proporções inimagináveis. Como cientistas sociais em formação e principalmente como pessoas comprometidas com a transformação dessa sociedade, não podemos deixar de colocar algumas poucas e iniciais reflexões sobre tudo isso.

O que começou como um grande “vômito nacional”, onde tudo era jogado nas ruas, desde o descontentamento com a corrupção até investimentos exorbitantes feitos para a Copa do Mundo, aos poucos vai se delineando e criando corpo: Ordem e Progresso, como nunca, são palavras de ordem e o som que se ouve nas ruas é de um exacerbado cântico à nação. Cântico esse que não diferencia os que pagam a conta da crise social vigente daqueles que a causam. Ricos e pobres, gregos e troianos, #tudojuntoemisturado. Do sentimento nacionalista sobressai um fascismo disfarçado de “autonomia partidária” que vem atacando, espancando e tentando deslegitimar toda bandeira que se levante nas ruas. O individualismo liberal nunca se fez tão presente e as organizações que claramente se posicionam juntamente às classes trabalhadoras são rechaçadas esquecendo-se de dizer (como sempre) que não tomar partido, já É tomar partido.

Tudo isso nos coloca um desafio preciso e necessário: ou conseguimos compreender o nosso tempo histórico e dimensionamos a quem tem servido as movimentações atuais ou então seremos levados por mais essa avalanche e afogaremos no mar da história.

Diante do que está posto, a comissão organizadora do XXVIII ENECS se posiciona a favor das organizações de esquerda que se colocam em luta, não apenas nessas grandes manifestações, mas também no cotidiano, no dia-a-dia marcado por enormes conflitos urbanos e rurais e que a grande mídia guiada pela burguesia nacional e classe média conservadora, assim como transforma passeata em micareta e coloca trabalhador contra trabalhador, faz questão de esconder.

Repudiamos todo vandalismo vindo da parte do Estado, através do seu aparato repressor e truculento por compreendermos que o Estado não é neutro, representa uma classe. A mesma classe que se coloca no front contra xs lutadorxs do nosso país, criminalizando e agredindo ao som do hino nacional.

A nossa luta é todo dia,

E a nossa revolução não será televisionada!

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