ATENÇÃO! MUITA ATENÇÃO!

Olá a todos e todas! Está chegando o nosso XXVIII ENECS e alguns informes precisam ser dados para uma boa dinâmica de encontro:

1 – Só terão acesso a alimentação e as culturais quem estiver credenciado de acordo com o pagamento feito, ou seja, com a pulseira e o crachá fornecidos no momento do credenciamento.

2 – Por conta de uma medida solicitada pela UECE, no horário das culturais pessoas sem identificação (pulseira) serão retiradas do Campus, foi uma imposição que infelizmente tivemos que acatar para garantir as condições estruturais para recebe-lxs.

Esperamos vocês em Fortaleza e que possamos tocar um encontro de maneira responsável, porém sem caretice.

Abraços

C.O XXVIII ENECS

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Como chegar na UECE?

Fortaleza é uma cidade relativamente fácil de circular. A maioria das ruas é reta, sem aquelas ladeiras e curvas típicas de várias capitais. O ônibus custa R$ 2,20 (estamos tentando diminuir para R$ 2,00!) e há vários terminais (mini rodoviárias) que ligam a cidade. Uma vez dentro do terminal você não precisa pagar novamente para pegar outro ônibus. Nas ruas, se for pedir informação, as pessoas provavelmente não saberão o número dos ônibus e sim, a rota, que é sempre nesse esquema: origem – destino – via. Ex: Parangaba (origem) –Papicu (destino) Montese (via). Se nenhuma das dicas abaixo contempla a sua rota aventureira, entre em contato com a C.O e poderemos dar mais dicas. Lembre-se que apesar do clima bom e pessoas simpáticas você está em uma das cidades mais desiguais do mundo e as contradições estão por todos os lados. Fica a dica e um ótimo Enecs!

Delegações:

BR 116 – O acesso pela BR 116 é preferencial para quem vem do Centro-Sul do país. Fortaleza é o Km 0, então não tem erro. O acesso mais fácil à UECE é seguir na BR 116 até o acesso ao viaduto que vai para o Aeroporto. Esse viaduto fica em frente a um Atacado chamado Makro. Atenção na sinalização. O aeroporto fica a uns 3 ou 4 km desse ponto. Após passar o aeroporto tem um novo viaduto e dessa vez vocês passam por cima do viaduto e pegam o acesso à direita para passar embaixo do mesmo viaduto. Agora está na Av. Bernardo Manuel(ou Expedicionários). Siga até o cruzamento com a Av. Dedé Brasil e dobre à direita nesta avenida. A UECE fica a mais ou menos 1 km desse ponto na Av. Dedé Brasil.  

mapa 1

Mapa 1: Acesso da BR116 à UECE Itapery

Já para quem vem de Recife, João Pessoa, Natal e Mossoró há a possibilidade pegar a CE 040 em Aracati em vez da BR. Na altura do bairro Messejana dá pra ter acesso à BR 116 e cumprir o mesmo itinerário descrito anteriormente.

BR 222 – Essa BR é indicada para quem vem do Norte, Maranhão e Piauí. Na entrada da cidade basta pegar o Anel Viário até a rotatória. Acessar a terceira saída para a Av. Gen. Osório de Paiva em direção ao centro de Fortaleza. No final dela vocês devem pegar a rua Eduardo Perdigão à direita. Fica bem em frente ao Ginásio da Parangaba e à Lagoa. Vocês devem seguir nela até depois do terminal de ônibus e acessar a Av. Dedé Brasil. A UECE fica a mais ou menos 1,5 km desse ponto

mapa 2

Mapa 2: Acesso da BR 222 à UECE itapery

Aéreo: Do Aeroporto de Fortaleza, o acesso à Uece Itaperi é fácil e rápido. No subsolo passa o ônibus 066 – Parangaba – Papicu – Aeroporto. Saindo do aeroporto, após o viaduto ele percorre alguns metros na Av. Expedicionários e logo em seguida pega a Av. Dedé Brasil. Você desce na terceira parada bem em frente à UECE. Em caso de dúvida pergunte ao motorista.

Rodoviário: Da rodoviária não passa nenhum ônibus que dê acesso direto à UECE Itaperi. Você terá que pegar um ônibus que vá para o terminal da Parangaba. Saindo da rodoviária, caminhe em direção à Av. Borges de Melo e pegue o 044 – Parangaba – Papicu – Via Montese. No terminal, pegue o 066 (Paragaba – Papicu – Aeroporto), 215 (Parangaba – Messejana) ou 391 (Parangaba – Passaré). Todos vão pela Av. Dedé Brasil e dentro de 05 minutos você deve ver a UECE à sua direita.

Táxi: Os táxis não são caros. Do aeroporto deve custar uns 15 reais (há duas cooperativas, uma delas tem preços tabelados). Da rodoviária de 20 a 25 reais. Os táxis credenciados são brancos.

mapa 3

Mapa 3: A = Aeroporto; B = UECE; C = Rodoviária Eng. João Tomé

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Contagem Regressiva!

Contagem Regressiva!

E vc aí, já arrumou as malas?!

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Inscrições de R$ 80 adiadas até dia 12 de julho

Gente, corre!!!!! vai na página “Inscrições” e vê tudo direitinho, adiamos até e somente até sexta devido ao pedido de muitas escolas as inscrições de R$ 80 reais. QUEM DEPOSITOU JÁ OS R$100 não se preocupe que você terá seu dinheiro de volta ou pode comprar uma blusa e uma caneca do encontro que tá babado! 😀

alegria-e-tristeza1

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Sobrevivendo ao ENECS Fortaleza!!!

Sobrevivendo ao ENECS

Se liga, tu que vem pra cá
Escute o que eu vou dizer
São algumas palavrinhas
Que preparamos pra você

A uece é o lugar
onde todo mundo vai estar
a c.o, coordenadores
gente bonita de todo lugar

Por isso é importante,
a uece conhecer
Para quando chegar aqui
não rolar de se perder

São quatro blocos de alojamento
E uma área pra acampar
se por ventura houver a duvida
é só a c.o procurar!

Quando chegar, preste atenção!
Vá fazer o credenciamento
É importante credenciar,
Então se ligue no movimento!

Em frente ao auditório,
Tudo com o comprovante na mão
Vai assinar pra comprovar
O momento da inscrição

Pra que tudo ocorra bem
É necessário assinar
Um acordo coletivo
Pra festa poder rolar

Depois do credenciamento
É a hora de alojar,
Junto com os coordenadores
Com a sua escola, encaminhar.

Ajeite as coisas direitinho
Desface a mala com cuidado
Depois de tudo no cantinho
Em casa estará alojado

Antes de vir, preste atenção
É importante o que vamos dizer
Algumas coisas dentro da mala
Não pode esquecer de trazer!

Traga lençol e seu colchão
sua barraca, se for acampar
E o kit sobrevivência,
Prato e talher pra merendar

Papel higiênico é sempre bom,
Pra mode um dia talvez faltar
Sua toalha e seu caneco
Pra bacia poder provar

Um repelente pra toda gente
Porque tem mosca no alojamento
E um protetor, desses solar
Pra não ficar com o rosto ardendo

E além disso, venha disposto
Temos muito o que fazer
No ceará a gente te espera
Pra um lindo encontro acontecer

 

 

E que diabos eu tenho que levar, hein?

enecssurvive

 

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Saiba mais sobre os Grupos de Discussão [GD’s]

Grupos de Discussão [GD’s]

Os grupos de discussão são espaços de formação que ocorrerão no dia 25 de Julho. A ideia é acumular temas pertinentes para o movimento estudantil de ciências sociais. O acumulo nos espaços é de suma importância pois os GD’s são encaminhativos para a plenária final, por tanto não deixe de participar!

Quais são os GD’s?

GD 1 – Remoções Urbanas e Rurais:

O debate apresentado no GD procura girar em torno das questões acerca da dinâmica de reprodução do capital e os impactos que as expropriações que ocorrem constantemente no campo e na cidade trazem para a vida dos trabalhadores brasileiros , procurando salientar como afetam seu cotidiano e trazem a necessidade de resistência e luta por parte dos atingidos e de todos os que se propõem a repensar nosso modo de socialização.

 Facilitadores: Movimento de Luta em Defesa da Moradia

GD 2 – ABECS:

Debate acerca da Associação Brasileira do Ensino de Ciências Sociais, sua articulação, seus objetivos e a necessidade de organizar à nível nacional as pautas e demandas da profissão docente nas Ciências Sociais

 Facilitador: Willian Nunes – UFSM

GD 3 – Educação (Conjuntura Universitária e Mobilização Estudantil):

O GD se propõe a uma análise das grandes mobilizações que houve na educação no último ano, na perspectiva de fazermos um balanço sobre nossas demandas e como nossa organização tem respondido a isso. A discussão abarcará também a avaliação sobre o CNGE – Comando Nacional de Greve Estudantil e os instrumentos de luta que temos nos proposto a construir no campo da educação.

 Facilitador: Rafael Macedo – UFSM

GD 4 – PIBID/ Ciências Sociais:

O GD procura abordar as principais problemáticas encontradas na prática da profissão docente no ensino médio, tentando conectar a nossa formação acadêmica, através dos relatos do bolsista do PIBID com a nossa prática profissional cotidiana, através da contribuição de um professor de Sociologia no Ensino Médio. A ideia é problematizar a dissociação entre teoria e prática e apontar caminhos que possam nos ajudar a pensar e repensar a nossa formação e atuação docentes.

 Facilitadoras: Joyce Carvalho – UFRRJ e Vanessa Goara – UFC

 GD 5 – Meio Ambiente:

Os impactos causados pela lógica destrutiva do capital no meio ambiente tem sido tema de muitos debates calorosos sobre a necessidade ou não de se repensar a totalidade do nosso modo de produção. Seria possível um capitalismo verde? Até que ponto nossa vida em sociedade corre riscos na medida em que se relaciona diretamente com o meio ambiente e as consequências visíveis de uma lógica destrutiva de produção. Todas essas questões deverão nortear o GD de meio ambiente.

Facilitadora: Manuela Terceiro – Instituto do Movimento Operário – IMO UECE

GD 6 – Sexualidade e Gênero:

Pretende-se colocar no centro do debate a questão social da sexualidade e de como ela se relaciona com as formas sociais das relações que desenvolvemos. Além disso, trazer à luz da crítica a dimensão do significado das construções de gênero e seus impactos no cotidiano de uma sociedade dividida em classes e por isso mesmo marcada pelas desigualdades e opressões.

Facilitadores: Bando 17 de Maio e coletivo Mucama

GD 7 – Identidade/Etnia/Religião:

O GD aborda as principais questões ligadas ao debate sobre etnia e identidade, procurando interliga-los, entendo que são momentos de um mesmo processo. A discussão sobre religião aparece como fenômeno de afirmação étnica e identitária, se constituindo, em muitos casos, como mecanismo de resistência, o que se relaciona diretamente com o questionamento sobre que sociedade e sobre a raiz dos conflitos identitários, étnicos e religiosos que acompanhamos diariamente.

 Facilitadores: Eliakin, Ronaldo e Daniele – Grupo de Estudos e Pesquisas Étnicas – GEPE UFC

GD 8 – Movimentos Sociais:

Pretende-se abordar as diferentes perspectivas dos movimentos sociais hoje, dimensionando sua importância na configuração atual da sociedade em que vivemos. São três os diferentes campos dos movimentos à serem abordados no GD: 1) Juventude; 2)Movimento Popular; 3) Movimento Sindical.

 Facilitadores: Leonardo Vieira – UFC e Professor Epitácio Macário – UECE

GD 9 – Formação Profissional do Cientista Social:

Tendo em vista as inúmeras Reformas Curriculares pelas quais cursos de Ciências Sociais tem passado nos últimos 5 anos em todo o Brasil, somando-se a isso, a implementação da obrigatoriedade da sociologia no ensino médio, em 2009, procura-se nortear o debate em cima das questões que atingem diretamente nossa atuação profissional e a questão que não se cala ao terminarmos a graduação: Quê Fazer?

Facilitadores: Priscila Prix Rodrigues UFRGS e Professor Elson Moura – UEFS

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Faltam 15 dias galere!

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A Metodologia Josué de Castro e os Encontros Estudantis de Ciências Sociais: Para debater o conteúdo

Há alguns anos é latente no movimento estudantil de ciências sociais a necessidade de acumular acerca de nossos encontros estudantis e o que se pretende ser esses espaços. Nesse sentido, a Comissão Organizadora do XXVIII ENECS, Fortaleza tenta, através do texto abaixo contribuir nessa discussão e na construção cotidiana do movimento estudantil de ciências sociais.. Boa leitura!

 

A Metodologia Josué de Castro e os Encontros Estudantis de Ciências Sociais: Para debater o conteúdo

 

Contribuição da Comissão Organizadora do XXVIII ENECS ao Movimento Estudantil de Ciências Sociais

 

 

Introdução

 

Desde o ENECS Belo Horizonte, em 2011, temos repensado toda a estrutura organizacional dos nossos encontros estudantis e amadurecendo a ideia de aplicação do método Josué de Castro. A escolha não foi aleatória. Utilizado em espaços de formação do MST e alguns outros movimentos sociais, o MJC procura redimensionar o caráter valorativo do trabalho manual e sua relação com o trabalho intelectual assim como repensar as dinâmicas de sociabilidade nos espaços, na tentativa de abrir possibilidades para a gestão de novas relações sociais que possam se estabelecer como ensaios de uma nova sociedade insurgida da ruptura com o atual modelo capitalista. Mesmo antes do ENECS BH houveram experiências à nível regional que nos proporcionaram um acúmulo prático em relação ao método, mas desde então é consensual nos nossos espaços do movimento que precisamos acumular teórico e praticamente para que a aplicação do método não se dê de forma vazia e pouco refletida. É nesse sentido que nós, da Comissão Organizadora do XXVIII ENECS gostaríamos de contribuir com a síntese de alguns debates que tivemos ao longo da construção do nosso encontro nacional. Esperamos com isso socializar nossas reflexões e dar o ponta pé para que o mecs possa produzir formulações e se tornar, definitivamente, perigoso!

  1. O Método Josué de Castro em si: O que é, pra que serve e de onde vem?

O Método Josué de Castro [MJC] é uma metodologia inicialmente pensada para os espaços das Oficinas Organizacionais de Capacitação – OFOC’s, espaços de formação política e laborial do MST, iniciadas em 1991. A ideia inicial era a capacitação das famílias assentadas para o trabalho e cooperação agrícola, através do proporcionar de uma dinâmica diferenciada e organização sócio espacial que funcionasse como base material para o amadurecimento da necessidade de ruptura com as relações sociais vigentes. Através do Instituto Josué de Castro [IEJC] o método foi aprimorado, culminando em um método pedagógico de formação de consciência, cujo principio basilar é o da coletividade.

Bebendo teoricamente da chamada “escola do trabalho”, de autores como Pistrak e também de Krupskaya e Makarenko, incluindo ainda na bibliografia Saviani, o método foi pensado tendo o trabalho1 como principio educativo. Isto significa que é no e pelo trabalho que a sociabilidade é pensada e a vida social organizada. Podemos dimensionar o que isso significa em um espaço amplo, de organização da vida por excelência como os assentamentos.

Para que se estruture o MJC se fundamenta em quatro pontos principais: a) complexidade/heterogeneidade, que corresponde a diversificação dos sujeitos sociais participantes; b) materialidade, ou plano da realidade concreta; c) Autonomia como responsabilidade nas decisões, ou principio da coletividade e d) potencialização dos interesses individuais ou desenvolvimento da consciência do individuo. Além disso apresenta quatro princípios metodológicos, sendo eles 1) Necessidade da mudança da existência; 2) Primado da materialidade, ou a necessidade de se pautar na vida material entendendo que “não é a consciência que determina o ser mas o ser que determina a consciência”; 3) O primado do objeto sobre o sujeito ou a compreensão da importância da materialidade na formação do sujeito e 4) Aproveitamento da contradições materiais existentes. As estratégicas pedagógicas utilizadas tem como objetivos e fundamentações centrais a) que todos trabalhem e todos decidam, b) continuidade do processo de consciência; c) necessidades objetivas como base para a estruturação da sociabilidade; d) contato com o mercado, no caso do desenvolvimento das potencialidades profissionais; e) necessidade de se pensar o ritmo do processo.

Em suma, o método, ao se estruturar como método pedagógico de formação da consciência procura desenvolver a consciência social e política dos sujeitos participantes fazendo com que, através do principio de coletividade, os indivíduos potencializem suas ações e se tornem sujeitos ativos na dinâmica social da vida.

  1. Algumas contradições – Reflexão necessária

Ao analisarmos o MJC, faz-se necessário entendermos a relação entre a proposta teórica e a realidade objetiva, seguindo os princípios do próprio método. Ao ser pensado tendo como base a escola do trabalho e a ideia de trabalho como principio educativo, o método vislumbra uma materialidade social que não a nossa. Vale lembrar que a escola do trabalho foi pensada na união soviética, em meio a uma experiência real de Estado proletário. A necessidade de se repensar o modo de sociabilidade era latente e correspondia ao estágio transitório que representa o socialismo

Levando isso em consideração e também a inicial aplicação do método – em espaços de assentamento cuja a dinâmica social da vida é toda reconfigurada dentro dos princípios de transformação social dos próprios movimentos sociais que compõem àquele espaço juntamente com a realidade especifica da vida no campo – é importante ressaltarmos que existe uma dificuldade encontrada em consideramos o trabalho como principio educativo dentro de uma sociedade cuja centralidade do trabalho é a base da divisão social de classes.

Entender isso é importante para dimensionarmos a concretude da aplicação do método e os limites encontrados ao aplicá-lo – de forma fragmentada e adaptada – aos encontros estudantis de ciências sociais. A lei geral, com base nos princípios e estratégias pedagógicas é válida mas precisamos analisar concretamente um cenário específico, sendo ele, o cenário dos espaços estudantis do curso de ciências sociais.

  1. A realidade dos encontros estudantis de ciências sociais: À quê o método serve.

Voltemos a BH e relembremos um pouco do que se colocava em xeque naquele momento, em relação aos nossos encontros? A pouca participação geral nos espaços, o esvaziamento de alguns espaços políticos e a discussão acerca do que chamamos “turistagem”2. Tudo isso junto traziam a necessidade de pensar para que servem os encontros estudantis de ciências sociais e o que queremos com eles. É por aí que se vai pensar sobre a aplicação do MJC, trazida da experiência militante de estudantes que participam de movimentos sociais e também de experiências regionais como a do ERECS CARUARU, no nordeste. Dessa forma, o primeiro passo para irmos consolidando nosso acumulo em relação à metodologia dos encontros é sistematizarmos, em alguns pontos, as questões de pano de fundo na organização dos nossos espaços

  1. Qual o objetivo de um encontro estudantil de ciências sociais?

Um encontro estudantil de ciências sociais, em primeiro lugar, não é apenas um espaço acadêmico. Oriundo da universidade, obviamente, é um espaço de socialização de conhecimentos, adquiridos ao longo da graduação em Ciências Sociais. Contudo, acreditamos que tais encontros são, primordialmente, espaços de debates políticos acerca da instrumentalização de nossa formação profissional e humana. Isso significa dizer que os debates acadêmicos em nossos encontros não podem e não devem dissociar-se dos debates políticos, já que são momentos de um mesmo processo, sendo ele, o da nossa formação.

É muito comum debatermos em separado o “movimento estudantil” e a “formação acadêmica”. Se é verdade que podemos entender o movimento estudantil como um processo prático do acumulo acadêmico-político ao longo da vida universitária, é verdade também que a formação acadêmica não foge a regra de ser parte da totalidade formativa que corresponde, indissociavelmente a um fim prático. Nesse sentido, os encontros estudantis de ciências sociais são espaços de socialização de conhecimentos e de potencialização de nossa atividade prática, exemplificada no movimento estudantil de área.

Importante compreender que, com isso, se faz necessário primeiramente entender as demandas e reais necessidades de quem vem ao encontro. É necessário saber que a “turistagem”, bem como a existência de espaços de apresentação de trabalho, por exemplo, são importantes no processo de integração durante os encontros. Tais espaços devem ser pensados na perspectiva apresentada, de socializar o conhecimento e potencializar a atividade prática.

    1. De que cor os encontros estudantis de ciências sociais se pintam?

Quem são os estudantes que comparecem aos encontros? Quais são as demandas trazidas por eles? O que é preciso para transformação da dinâmica de integração nos nossos encontros estudantis para que sejam espaços cada vez mais coletivos? Talvez essas sejam as questões mais objetivas colocadas como desafio para o movimento estudantil de ciências sociais. Entender a realidade concreta dos nossos encontros e a composição material de quem participa do encontro é a primeira coisa ao se estruturar, com base no objetivo dos encontros, uma metodologia capaz de aprimorar os espaços e instigar a participação. É necessário resgatarmos as dinâmicas de agitação e propaganda próprios dos movimentos sociais para conseguirmos consolidar nos nossos encontros a noção de coletividade. Para que exista tal noção é importante que o encontrista se reconheça enquanto parte de um todo. E para se reconhecer enquanto parte ativa do todo é de suma importância o amadurecimento sobre a metodologia utilizada nos espaços entendendo que a forma se relaciona dialeticamente com o conteúdo.

    1. A ferramenta de leitura da realidade: o plano de fundo do método ou o chão sob o qual se ergue.

Por último, o ponto de partida. Ao repensarmos os encontros estudantis de ciências sócias repensamos também o nosso ponto de partida. Afinal, para estruturamos o objetivo dos encontros e optarmos por uma melhor metodologia organizativa e pedagógicas é necessário que tenhamos um ponto de partida. Para nós, o ponto de partida é o da transformação da realidade. É aí que o MJC se relaciona com nossa materialidade e se apresenta como alternativa viável no amadurecimento do processo de coletividade e formação acadêmica e política de todos os participantes.

O método analítico adotado é o método materialista histórico dialético, que, ao fundamentar a teoria marxista, coloca como desafio a ruptura com os marcos atuais da sociedade burguesa, apresentando como necessidade a transformação da realidade através do reconhecimento das contradições existentes em nossa realidade, da impossibilidade da neutralidade em uma sociedade dividida e estruturada em classes e da possibilidade de novas formas de sociabilidade livres do fardo histórico do nosso tempo, marcado pela contradição central entre capital e trabalho ou entre os poucos que se apropriam da riqueza produzida e os muitos que tem na sua força de trabalho o seu único meio de sobrevivência. É nesse sentido que tomamos partido. Pela compreensão de que só no processo de transformação social é que se muda a vida. Somente ao pensarmos nos encontros estudantis de ciências sociais como espaços teórico-práticos de formação, atuação e transformação é que podemos fazer valer o lema de nos tornarmos, cada dia mais, cientistas sociais perigosos!

Essa breve discussão é só o começo. É necessário pensarmos organicamente nos nossos espaços, acumulando a cada encontro as melhores possibilidades de organização dos nossos espaços para uma cada vez melhor integração. Não nos esquecemos que a história se faz cotidianamente e coletivamente e que movimentar-se é uma necessidade.

No desejo sincero de fazermos da nossa formação e atuação instrumentos de transformação,

Comissão Organizadora XXVIII ENECS

Fortaleza, Julho de 2013

1Por trabalho entende-se aqui a categoria fundamental da ontologia do ser humano, isto é, a atividade metabolica de transformação da natureza que ao ser aplicada transforma não só a natureza mas também o ser humano.

2Por turistagem entende-se a ida aos encontros de movimento de área para conhecer cidades diferentes, aproveitando o baixo custo da viagem (transporte via universidade, alojamento e alimentação relativamente barato, etc)

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Regimento Interno do XXVIII ENECS

Como deliberado em nosso último encontro, da escola sede encaminhar antes do encontro o Regimento Interno para que o mesmo possa ser discutidos na escola e possamos agilizar a nossa Plenária Inicial, divulgamos a proposta de Regimento Geral feita pela C.O do XXVIII ENECS. A proposta foi feita com base no Regimento Geral do ENECS Santa Maria.

É muito importante que todxs debatam nas suas respectivas escolas. A construção do nosso movimento de área é parte fundamental na consolidação de nossa formação e atuação como instrumentos de transformação!

Nos vemos em Fortaleza!

 

Regimento Interno ENECS 2013 (Clique aí do ladinho)

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Aviso importante!

aviso

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